25/05/2012
24/05/2012
Meu Livro Amado-Demian, Hermann Hesse.
“O
que hoje existe não é comunidade: é simplesmente o rebanho.
Os homens se unem porque têm medo uns
dos outros e cada um
se refugia entre seus iguais: rebanho de patrões,
rebanho de operários,
rebanho de intelectuais... E por que têm medo? Só
se tem medo quando
não se está de acordo consigo mesmo. Têm medo porque jamais se
atreveram
a perseguir
seus
próprios impulsos interiores. Uma comunidade formada por
indivíduos
atemorizados com o desconhecido que levam dentro de si.
Sentem
que já periclitaram todas as leis em que baseiam suas vidas,
que
vivem conforme mandamentos antiquados e que nem sua religião
nem
sua moral são aquelas de que ora necessitamos. Durante cem
anos
a Europa não fez mais do que estudar e construir fábricas! Sabem
perfeitamente
quantos gramas de pólvora são necessários para se
matar
um homem; mas não sabem como se ora a Deus, não sabem
sequer
como se pode passar uma hora divertida. Observa qualquer
uma
dessas cervejarias estudantis. Ou qualquer dos lugares de
diversão
que a gente rica freqüenta! Que espetáculo mais desolador...
De
tudo isso não pode redundar nada de bom, meu caro Sinclair. Esses
homens
que tão temerosamente se congregam estão cheios de medo e
de
maldade, nenhum se fia no outro. Mantêm-se fiéis á ideais que já
não
existem, e atacam, furiosos, os que tentam erigir outros novos."
(...)
duas
rotas amigas coincidem, o mundo inteiro nos parece então o
anelado
porto."
(...)
o
que deseja. Você tem que abandonar esses desejos ou desejá-los de
verdade
e totalmente. Quando chegar a pedir tendo em si a plena
segurança
de alcançar seu desejo, a demanda e a satisfação coincidirão
no
mesmo instante. Mas você deseja e se reprova, temeroso de seus
desejos.
Tem que dominar tudo isso. Vou lhe contar uma fábula.
E
me contou sobre um adolescente que estava enamorado de uma
estrela.
Junto ao mar estendia os braços para ela, adorava-a, sonhava
com
ela e lhe dedicava todos seus pensamentos. Mas sabia, ou
pensava
saber, que um homem não pode enlaçar uma estrela.
Imaginava
que seu destino era amá-la sempre sem esperanças e
construiu
sobre essa idéia toda uma vida de renúncias e de dores,
muda
e fiel, que devia purificá-lo e enobrecê-lo. Uma noite estava de
novo
sentado junto ao mar, no alto de uma escarpa, contemplando a amada e ardendo de
amor por ela. E num instante de profundo anseio,
saltou
no vazio para alcançar a estrela. Mas ainda não pensou na
impossibilidade
de alcançá-la e caiu, arrebentando-se contra as rochas.
Não
sabia amar. Se no momento de saltar tivesse força de alma
bastante
para crer fixa e seguramente na obtenção de seu desejo, teria
voado
para o céu a encontrar sua estrela.
—
O amor não deve pedir — continuou — nem tampouco exigir.
Há
de ter a força de chegar em si mesmo à certeza e então passa a
atrair
em vez de ser atraído. Sinclair, seu amor é agora atraído por
mim.
Quando chegar a atrair-me, então atenderei. Não quero ser uma
dádiva,
mas uma conquista.
Tempos
depois contou-me outra história. Era um homem que
amava
sem esperanças. Tinha-se encerrado inteiramente em si mesmo
e
imaginava que se ia consumindo na chama de seu amor. O mundo
desapareceu
para ele. Não via o céu nem o bosque verde; não ouvia o
murmúrio
dos regatos nem os sons da harpa; tudo em seu redor se
havia
desfeito, deixando-o abandonado e miserável. Seu amor cresceu,
contudo,
de tal maneira, que preferiu consumir-se e morrer em sua
fogueira
do que renunciar à posse daquela mulher. E então sentiu que
sua
paixão devorava em si tudo aquilo que não fosse amor, tornava-se
poderosa
e impunha à amada distante uma imperiosa atração, fazendoa correr para si. Mas
quando
abriu os braços para recebê-la, achou-a
transformada,
e viu e sentiu, surpreendido, que atraíra para si todo o
mundo
perdido. Lá eslava o mundo diante dele, ofertando-se por
completo;
céu, bosque e regato voltavam a ele com novas cores,
cheios
de vida e de luz, pertenciam-no e falavam sua linguagem. E em
vez
de ganhar apenas uma mulher, tinha o mundo inteiro em seu
coração
e cada uma das estrelas do céu resplandecia nele e irradiava
prazer
em toda sua alma... Havia amado, e amando encontrara a si
mesmo.
Mas a maioria dos homens amam para se perder em seu amor"
Krishnamurti.
"Vocês
dependem para sua espiritualidade de outra pessoa, para sua felicidade, de
outra pessoa, para sua iluminação, de outra pessoa... quando digo olhem para
dentro de si mesmos para buscar a iluminação, a glória, a purificação e a
incorruptibilidade do Eu verdadeiro, nenhum de vocês se dispõe a fazê-lo. Devem
existir alguns, mas não muitos. Vocês se acostumaram a que lhes digam até que
ponto avançaram, qual é seu status espiritual. Que infantilidade! Quem mais a
não ser vocês próprios poderão dizer se são ou não incorruptíveis?"
(Krishnamurti)
O jogo de Amarelinha- Julio Cortazar.
"Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto, e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca, que sorri debaixo daquela que a minha te desenha
Para atravessar contigo o deserto do mundo - Sophia Andresen. ( Para Peras e Maças)
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento.
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